A abordagem sistemática da família nos diz que tudo que acontece com um membro da família repercute nos outros e vice-versa. A família é um grande sistema, ou seja, a família é o todo, e cada membro, uma parte desse todo. O todo será sempre maior que a soma das partes, porque cada parte não está isolada, está sempre em interação com as outras partes. Essa interação não acontece apenas nas questões materiais, sociais, afetivas e emocionais, mas sobretudo, nos assuntos de ordem espiritual. Quando por algum motivo há, um desequilíbrio na família, por exemplo, discussões, brigas, agressões físicas, etc., é aberta a porta para a interferência de espíritos menos esclarecidos, que desejam prejudicar o núcleo familiar para que as suas partes fiquem mais fragilizadas e possam continuar a sua ação deletéria, gerando mais infelicidade para todos os envolvidos. É importante esclarecer que não são esses espíritos menos esclarecidos que criam os problemas, mas aproveitam as matrizes infelizes que trazemos em nós, aguçando-as.
Os pais podem estimular os filhos positivamente e também negativamente. A estimulação negativa muitas vezes ocorre quando fixamos as suas dificuldades, diminuindo-os. Os estímulos positivos podem ser exercitados quando os auxiliamos a se tornarem pessoas melhores, superando as suas dificuldades. Os estímulos negativos sao muito prejudiciais na primeira infância quando os pais são como deuses para os filhos. Nessa fase, a criança não tem capacidade de abstrair, de separar o que realmente são dificuldades dela, das dificuldades dos pais. E pode se agravar mais ainda com o passar do tempo com a repetição dos estímulos negativos, se tornando uma crença. A partir desse momento, a criança não precisa que alguém a diga que ela é incapaz, ela mesmo acredita que ela é, ou seja, ela crê que as suas dificuldades são maiores do que a dos outros. A experiência gera uma cognição, isto é, um aprendizado a partir de um fato positivo ou negativo que, uma vez fixado na mente, torna-se uma crença que passa a condicionar a vida do indivíduo, de acordo com o seu teor.
O sistema de crenças pode ser familiar ou individual. As crenças familiares são transmitidas de pais para filhos, por exemplo: racismo. Muito importante notarmos também, é que o nosso sistema de crenças geram sentimentos. Tudo aquilo que pensamos sobre as pessoas, sobre o mundo, imediatamente cria em nós sentimentos, e estes geram uma emoção. As emoções, nada mais são que expressões viscerais daquilo que sentimos. Em outras palavras, sentimentos que são expressos pelo corpo.
Para reflexão:
- Eu estou contribuindo para a harmonia do ambiente familiar, ou para a sua desarmonização?
- Eu já notei em mim os estímulos negativos que inconscientemente posso estar passando para os meus filhos?
- Quais estímulos positivos podem ser usados na educação dos filhos?
- Quais são as crenças que carrego em mim? Dessas crenças, quais delas podem ser resignificadas positivamente?
Fonte: de Cerqueira Filho, A., “Saúde nas Relações Familiares” – Capítulo 3 – Editora EBM – São Paulo (2007)


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